um refúgio na arte

Presenciar conflitos, fugas e perseguições. Viver em campos de auxílio associações governamentais. Chegar em um novo país, receber (ou não) acolhimento e a experiência de ser e estar estrangeiro. Conheça artistas refugiados e brasileiros que produzem uma obra a partir de uma das mais contemporâneas das questões: a dos imigrantes refugiados.

Eles apresentam uma visão própria da sua experiência como refugiados, do seu processo de integração em nosso país e da solidariedade brasileira com as pessoas que foram forçadas a deixar sua terra natal e começar do zero em outro lugar.

“Quando um refugiado deixa seu país, a única coisa que ele leva são os seus sonhos”, afirma o artista colombiano Fernando Pardo, escultor.

O número total de solicitações de refúgio aumentou mais de 2.868% entre 2010 e 2015. A maioria dos solicitantes de refúgio vem da África, Ásia (inclusive Oriente Médio) e o Caribe.

De acordo com o CONARE, o Brasil possui atualmente (abril de 2016) 8.863 refugiados reconhecidos, de 79 nacionalidades distintas (28,2% deles são mulheres) – incluindo refugiados reassentados. Os principais grupos são compostos por nacionais da Síria (2.298), Angola (1.420), Colômbia (1.100), República Democrática do Congo (968) e Palestina (376).

A guerra na Síria já provocou quase 5 milhões de refugiados e a pior crise humanitária em 70 anos. Com o aumento do fluxo no Brasil, o governo decidiu tomar medidas que facilitassem a entrada desses imigrantes no território e sua inserção na sociedade brasileira. Em setembro de 2013, o CONARE publicou a Resolução nº. 17 que autorizou as missões diplomáticas brasileiras a emitir visto especial a pessoas afetadas pelo conflito na Síria, diante do quadro de graves violações de direitos humanos.

Haiti, música

Joel Aurilien, conhecido em São Paulo por ser um dos protagonistas da peça de teatro Cidade Vudu, realizado pelo Teatro dos Narradores, é também cantor e guitarrista. Sobre a forma de baladas, que oscilam entre o blues, o reggae e o pop, as canções de Joel produzem críticas ao imperialismo, nos falam sobre migração e denunciam a situação contemporânea do Haiti. Neste vídeo, desde o Glicério, Joel nos canta uma das suas canções e recita um monólogo musicado da sua autoria.

Brasil, fotografia

Farida, um Conto Sírio é um registro fotográfico que começa na guerra da Síria e acompanha a jornada de refugiados que decidiram fugir do conflito em direção à Europa. Essa viagem dolorosa e cheia de sentimentos foi retratada pelo paulistano Maurício Lima, que usou suas lentes para acompanhar os passos de uma família síria nessa jornada forçada. As fotos ganharam o prêmio Pulitzer 2016 – até então inédito para um fotógrafo brasileiro -, estão em exposição no Museu da Imagem e do Som, em São Paulo até o dia 28 de maio.

O ATRAVES\\, por meio da colab#6 Farida, une-se a esta mostra fotográfica propondo uma experiência imersiva especialmente desenvolvida para o evento. Nossa proposta digital é jogar luz, durante o mês de maio, para temáticas como a importância do fotojornalismo, a questão dos refugiados e da fotografia como arte.

Angola, artes plásticas

José Barros Tambo é um angolano que vive no Rio há mais de duas décadas e acredita em mostrar aos refugidos, através de sua arte, que é possível mudar os contornos de uma história. Filho de produtores rurais da província de Uige, na década de 70 ele presenciou as dificuldades vividas por sua família devido a conflitos regionais. Os pais decidiram mandá-lo para a capital Luanda, onde ele estudou no Liceu de Artes até ser convocado pelo exército para lutar contra os rebeldes.

Como já era um artista promissor, foi liberado e expôs em países da África, na Rússia e em Cuba. Em 1989, veio para o Brasil como refugiado. Mas até suas telas ganharem o colorido que exibem atualmente, Tambo enfrentou a falta de dinheiro e, para sobreviver, foi pedreiro, caseiro e vigia.

“Comecei do zero, pintava nas horas vagas. A arte ajudou a me integrar. Hoje é um privilégio mostrar um pouco da cultura, das lendas, da religião, do povo da Angola nas minhas telas”, diz Tambo, que pinta quadros figurativos com tendência abstrata.

Mesmo diante da boa vontade da nossa política externa, recentemente, na noite da terça-feira 2 de maio, houve uma confusão entre imigrantes sírios e integrantes do grupo chamado Direita São Paulo – este que percorria a Avenida Paulista gritando palavras de ordem contra a nova Lei de Migração. Aprovada pelo Senado no mês passado, a proposta garante a imigrantes que chegam ao Brasil os mesmos direitos dos cidadãos brasileiros.

A nova lei foi objeto de indignação por parte de grupos mais conservadores, principalmente aqueles ligados a correntes de extrema-direita, que vêm reproduzindo no Brasil as mesmas tendências de certos países europeus em praticar a xenofobia – eles pedem que Michel Temer a vete. Sim, mesmo diante de uma questão delicada e urgente como a dos refugiados, ainda há gente disposta a clamar pelo retrocesso.

Ironicamente e mesmo diante da provocação, a Polícia Militar de São Paulo confirmou as mesmas tendências e optou por deter os provocados. Entre os cerca de 50 manifestantes que foram até a porta do 78.º Distrito Policial (Jardins) – onde os sírios foram levados – para protestar contra a injustiça, há quem afirme que o delegado tem ligações diretas com o grupo Direita São Paulo.

Após cerca de 20 horas, os detidos foram liberados. Até então recaiam sobre eles a acusação de formação de quadrilha para atentado terrorista com bomba (!)

Fica aqui registrada a nossa homenagem aos artistas refugiados e os votos para que todos os imigrantes sejam tratados com dignidade e justiça.

ONDA

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