tempos e sincronicidade em transplante de coração

O médico Guilherme Succi, cirurgião cardiovascular e ex-membro da Equipe de Cirurgia Cardíaca Institucional e Transplante Cardíaco do Hospital Albert Einstein, falou sobre o papel crítico do tempo em um transplante de coração e sobre a existência de diferentes signos de tempos envolvidos nesse processo.

O primeiro tempo é aquele da fila de espera de pacientes que aguardam pelo órgão; esse tempo pode ser bastante imprevisível e os pacientes são classificados com base no seu estado de saúde, sendo priorizados os pacientes que estão internados sem condições de irem para casa sem um transplante. Assim, quanto mais grave o estado de saúde do paciente, menor tende a ser o tempo de espera, de modo que o paciente precisa estar em estado crítico para ter agilidade no processo de transplante.

O médico acompanha cotidianamente esses pacientes em um período que pode variar bastante, e uma espera de meses ou anos subitamente se transforma em um correria na qual cada segundo é determinante para o sucesso do processo.

O segundo tempo é o tempo do transplante em si, que demanda a articulação sincronizada de duas equipes: a que capta o órgão junto ao doador e a equipe que opera o receptor, e consiste não apenas no processo cirúrgico em si, mas  também uma logística fina que envolver ambulância, helicóptero e avião. O tempo entre o aviso da disponibilidade do órgão e a finalização da cirurgia pode durar até 24 horas, mas o tempo entre a coleta do coração e a finalização do implante no receptor deve ser de até 2 horas.

O terceiro signo de tempo revela-se na tensão entre o tempo em que o paciente doador já em morte cerebral ainda deve permanecer na UTI para que o órgão possa ser aproveitado e a necessidade de liberar a vaga para um paciente vivo que precisa ser atendido com urgência.

Em relação à percepção do tempo, Succi compartilhou que o tempo passa muito rápido para o médico durante essas 2 horas do transplante em si, mas muitas vezes a ligação que inicia o processo acontece durante a madrugada e a equipe passa a noite trabalhando. Além disso, o tempo é percebido de maneira especial em situações nas quais um paciente anteriormente internado em estado grave já está retomando uma vida saudável em um período de apenas 6 horas após a cirurgia.

Por fim, o transplante de coração revela uma sobreposição entre dois tempos: o tempo do doador que se findou e o tempo do receptor que passa a ter outro significado a partir da cirurgia. Morte se torna vida em questão de pouco tempo.

Um ensaio de Tais Borges

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