tempo para contemplar

A filósofa alemã Hannah Arendt, em seu livro ‘A Condição Humana’, reflete a respeito da finitude temporal que recai sobre o ser humano.

A ideia de que a vida necessariamente tem um fim impulsiona o homem a agir e atuar de algumas maneiras com o intuito de perpetuar sua existência para além da inevitável morte.

Esses reflexos humanos se dividem em dois, segundo Arendt: vita activa e vita contemplativa.

A vita activa comporta-se em três dimensões:

Labor: Todo o processo biológico que garante a manutenção da vida do indivíduo e da espécie: seu ciclo metabólico, seus mecanismos de reprodução, seu crescimento espontâneo e o inevitável fim da vida biológica.

Trabalho: É o campo que empresta alguma permanência em contraste a efemeridade à vida humana. A possibilidade de elaborar bens materiais concretos representa a possibilidade de extensão no tempo de um ponto de vista individual.

Ação: Representa o empenho na preservação de um corpo social, possibilitando uma continuidade histórica. Corresponde à ideia de humanidade em geral, tentando organizar-se em instituições políticas.

vita contemplativa estabelece-se na dimensão subjetiva do indivíduo, sem estar necessariamente relacionada com externalizações de qualquer tipo.

Partindo da crença de que nenhum tipo de atividade concreta pode igualar em verdade e beleza o trabalho intelectual, Arendt afirma que a vita contemplativa deve anteceder principalmente a ação, pois é a manifestação que define as construções sociais que habitamos e, por isso, devem-se aproximar o máximo possível de uma forma ideal teorizada.

Contemplar conecta-se à capacidade de teorizar, avaliar e especular. Habilidade de caráter filosófico que, em um moderno mundo digital, parece cada vez mais negligenciada.

Em um mundo em que o tempo se torna cada vez mais escasso, a capacidade de avaliar quais são as atividades que possuem prioridade é cada vez mais essencial.

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