O ponto de partida do SUP#02 foi a repercussão nas redes sociais de um protesto realizado na porta do MAM São Paulo, depois que as fotos de uma performance do artista Wagner Schwartz, durante o Panorama da Arte Brasileira, viralizaram na internet.

O motivo do protesto foi a presença de uma criança que interagiu com a performance e, mesmo que o contexto não fosse erótico ou sensual e estivesse acompanhada da mãe, logo se estabeleceu uma pequena batalha cultural usado arte e pedofilia como pretextos. Pretextos para quê? Uma espécie de guerra santa foi declarada, sendo que, uma semana antes a exposição Queermuseu, no Santander Cultural de Porto Alegre, também sofrera com protestos e censura que depois seguiram acontecendo em Belo Horizonte, Piracicaba e outras partes do Brasil.

O que está acontecendo com a ideia da construção de uma sociedade liberal e democrática no Brasil? Qual é o campo desse debate que não é exatamente sobre Arte, nem mesmo sobre os direitos da infância ou sexualidade, mas que impõe a todos confrontos culturais que se tornaram nosso hábito nas redes? Toda essa polarização existe ou é relevante fora das redes?

Partindo dessas questões o SUP#02 é uma conversa com Giuliano Saade, Georgia Guerra-Peixe_Joca, Ju Borgez, Guilherme Werneck, Tiago Mesquita, Rodrigo Andrade, Mariana Pinto e Lu Bueno sobre o assunto.

O SUP#02 –  ARTE E CENSURA aconteceu no dia 10 de Outubro de 2017, dentro do estúdio do ATRAVES\\.

Foi uma rodada de conversas sobre as recentes polêmicas envolvendo política, arte e censura. Primeiro, ocorreu um bate-papo com os diretores Giuliano Saade, Georgia Guerra-Peixe_Joca e Ju Borgez comandado por Mauro Dahmer. Depois, Mauro debateu com o jornalista Guilherme Werneck, o pintor Rodrigo Andrade, o professor de história da arte Tiago Mesquita, a modelo Mariana Pinto e a diretora de arte Lu Bueno.

Para diretora de arte Lu Bueno, “Entrar em espaços de discussão em que o único objetivo é alimentar o seu ego é uma grande perda de tempo”. Ela afirmou que procura espaços mais qualificados para expor sua opinião, onde possa haver um real diálogo qualificado.

O jornalista Gui Werneck, editor da Bravo!, afirmou que a polêmica da performance do MAM escancara o problema educacional enraizado na sociedade brasileira. “Todos os espaços de ensino estão sendo sucateados há vinte anos, em todos os níveis”.

Já a modelo Mariana Pinto afirmou acreditar que que existe uma tentativa de interdição em praticamente todos os âmbitos: no campo das artes, da política, da saúde, da física… “As pessoas parecem ter medo de avançar e por isso tudo deve ser censurado”.

O pintor Rodrigo Andrade afirmou ter se sentido pessoalmente atacado enquanto artista e que sua primeira reação à polêmica da performance do MAM foi de “espanto pela expansão da onda conservadora que paira pelo Brasil há pelo menos dois anos.”

E, por último, o professor de história da arte Tiago Mesquita chamou atenção para o viés político da discussão: “A perseguição contra a arte não é de hoje e demorou para os artistas brasileiros se unirem contra o obscurantismo.”

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