renascer através da arte

Uma erva daninha ampliada do tamanho de uma criança. A planta, em estado de putrefação, é decomposta por invisíveis microrganismos que se alimentam da matéria orgânica já sem vida. Completa a imagem pontinhos de areia natural que, em um fundo totalmente escuro,  mais parecem centenas de estrelas. Assim se descreve uma das obras da artista alagoana Karla Melanias.

A exposição “Jardim em Suspenso”, primeira exposição individual de Karla, foi montada no final de 2016, na Pinacoteca Universitária da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), no centro de Maceió.

Utilizando-se da escanografia, técnica que faz uso de um scanner comum para criar imagens, ela registra a transformação final de objetos orgânicos como aves, flores e insetos, organizados manualmente pela artista, no que se parece mais uma tela do que uma foto.

As imagens criadas são ampliadas para o tamanho humano, parecendo refletir o reencontro da ligação perdida entre o humano e a natureza e apontando para a inerente relação que existe entre tudo que é vivo: sua aparente finitude.

O que se revela, no entanto, é o infinito devir que determina o destino de todas as coisas viventes. São “coisas que estão vivas se desfazendo, se recompondo, se recriando ou sendo recriadas”, diz Karla.

A artista alagoana Karla Melanias e uma de suas criações (Foto: Ítalo Almeida/Arquivo pessoal)

A percepção da efemeridade da vida humana é muitas vezes inspiração para a criação artística. Mesmo havendo a criação de obras que permaneçam passageiras, seus registros realizados eternizam o resultado de um processo de intensos estímulos e inspirações. A Arte realiza o anseio humano da eternidade através da capacidade de viver em um eterno renascer para cada novo olhar.

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