ONDA#18
JORNADA: VIDAS

O que une o começo ao fim é sempre um caminho que, de partida, estabelece uma regra clara e universal: toda aventura tem o seu fim, sua quarta feira de cinzas, o apagar das luzes. Que outra opção nos resta, senão caminhar um passo por vez, traçando uma jornada através de nossas escolhas?

EDITORIAL

Existem muitas maneiras de cumprir uma jornada.
Existem os que caminham de cabeça erguida, tal qual um elegante camisa dez a espera do momento certo, assim como existem aqueles que, castigados pela vida, seguem cabisbaixos, reconhecendo mais a aridez do solo do que a beleza do horizonte, transformando cada passo em um pequeno milagre da resiliência.
Seja como for, na ONDA#18 queremos reconhecer a beleza de cada caminhar. Para além de pontos de chegadas ou medalhas adquiridas, celebrar a poesia de se pôr em movimento, enfrentando e abraçando cada pequeno obstáculo que tenta interromper a ação andarilha.
Serão quatro movimentos que marcam cada uma das passagem de idades, entre a infância e a velhice. Em cada um desses movimentos, traremos um filme nacional que expõe cada uma dessas fases. A partir dessas obras, convidaremos artistas para reinterpretar cada uma dessas obras.
A ONDA#18 é comandada pelo diretor Aloísio Corrêa.

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PRIMEIRIDADE

“Consciência em primeiridade é qualidade de sentimento e, por isso mesmo, é primeira, ou seja, a primeira apreensão das coisas, que para nós aparecem, já é tradução, finíssima película de mediação entre nós e os fenômenos. Qualidade de sentir é o modo mais imediato, mas já imperceptivelmente medializado de nosso estar no mundo. Sentimento é, pois, um quase-signo do mundo: nossa primeira forma rudimentar, vaga, imprecisa e indeterminada de predicação das coisas.”

SANTAELLA, Lucia. O que é Semiótica. São Paulo: Brasiliense, 2007

O primeiro movimento da ONDA#18 – JORNADAS trouxe a presença do músico Ricardo Pereira, que assistiu o filme Limite (1931), de Mário Peixoto e resolveu reinterpretar o desenho de som do filme. Sua abordagem buscava implementar uma sonoridade futurista junto ao uso de sintetizadores, instrumentos de percussão, teclados e apetrechos sonoros que criaram diferentes atmosferas ao filme.

Da performance de Ricardo, o que mais nos veio em mente era a particularidade dos sons que produzia. Era possível enxergar a trajetória pessoal de Ricardo em conflito/concordância com as imagens e o espaço do ATRAVES\\.

Ricardo disse que se sentiu muito confortável na sala, embora ansioso, por ser sua primeira performance dessa maneira. Sua entrevista trouxe questionamentos pertinentes à nossa realidade. Falamos de arte, espaços de cultura, periferia e restauro de obras. A importância da arte para o ser humano e a disponibilidade da arte para os diferentes bairros de São Paulo em suas bordas distantes.

Os teclados emitiam ruídos complexos, choros e gritos, oitavas de ondas do mar se quebrando e ritmos que flertavam com outras canções do imaginário do artista, ao mesmo tempo que Limite exibia imagens poéticas, enquadramentos e movimentos de câmera que atravessam a narrativa, pontos de vista e memória. Limite é um olhar único, assim como o de Ricardo, que produziu uma obra extremamente particular e complexa sobre as imagens de Mário Peixoto e Edgar Brasil.

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DEPOIMENTOS

Confira os depoimentos dados para o movimento PRIMEIRIDADE

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CONTRACULTURA

“O título, “The cacher in the rye”, ou “O Apanhador no Campo de Centeio”, na tradução, revela essa vocação para a solidão e o isolamento de quem se sente só, incompreendido, e não consegue se integrar à sociedade no qual vive. No texto, o personagem explica que gostaria de ser um “apanhador” em meio às crianças que brincavam num campo de centeio sem perceber que ele terminava à beira de um abismo. Sua função no mundo seria pegar (apanhar) as crianças que se aproximassem demasiadamente do abismo, impedindo que elas caíssem. Talvez o livro tenha sido escrito justamente para nos salvar desse abismo em que a sociedade humana se transformou nas últimas décadas, doente do egoísmo alimentado por um capitalismo sem escrúpulos.”

SOUZA, Ricardo. Publicado 31/03/2017. Carta Capital. ”A atualidade do Apanhador no Campo de Centeio”

Embora seja muito jovem, existe nos trabalhos de Santídio uma longa trajetória.

No processo, temos uma aranha como resultado, uma obra que inicialmente representa o próprio título do filme, mas que não deixa de ser síntese, reinvenção, uma mistura de referências internas e sentimentos com a atualidade, vistos na breve pesquisa de referências que estava colada na parede onde se projetava o filme. Políticos e animais peçonhentos, a cultura tradicional da xilogravura nordestina, vinda de Portugal, junto a todas as heranças históricas e políticas do país.

Santídio tem no seu trabalho as diversas complexidades de uma técnica antiga, ao mesmo tempo que se comunica com quem observa suas gravuras de forma simples.

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DEPOIMENTOS

Confira os depoimentos dados para o movimento CONTRACULTURA

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MATURIDADE

Em uma das suas mais famosas frases em uma entrevista, Ozu se comparou a um fabricante de tofu.

“Eu apenas quero fazer uma bela travessa de tofu. Se as pessoas querem outra coisa, elas deveriam ir para restaurantes e mercados.”

YASUJIRO, Ozu – Tofu maker. Film Forever.

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CONVIDADOS

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RE-INPIRAÇÕES

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