ONDA#5

.: PROX.SERIE: LUANNA JIMENES :.

.: PROX.SERIE: LUANNA JIMENES :.

Debruçando-se sobre O CORPO, Luanna Jimenes utiliza o estúdio do ATRAVES.TV como seu ateliê de experimentação estética e sensorial para compor sua próxima série de performances.

Quais as extensões, afetos, automatizações e possibilidades de um corpo? Entre os dias 08/08 e 27/08, a multi-artista Luanna Jimenes destrincha nuances que circundam a figura do CORPO. Partindo de diversas leituras, como a simbologia corporal judaico-cristã, o entendimento deleuziano do corpo sem órgãos e as inumeráveis variações raciais e culturais constitutivas do nosso povo, Luanna divide o processo criativo de sua próxima série performática conosco.

03.08 a 07.08
_ENTRE_ONDAS_

Luanna Jimenes se prepara e convida seus parceiros criativos para a ONDA#5

Luanna adentra o espaço, convida os parceiros criativos que farão parte de sua próxima série de performance a ser desenvolvida dentro do estúdio do ATRAVES.TV e começa o ensaio de seus programas performáticos com a leitura do texto: Lições de Ascensão ou Instruções para uma Verticalidade.

07.08 a 13.08
LUANNA JIMENES

Luanna integra-se ao espaço, faz estudos cromáticos e elabora performances a partir do texto Lições de Ascensão ou Instruções para uma Verticalidade

Enquanto não esposarmos a totalidade de nós mesmos; recobrando a autonomia sobre nossos próprios corpos e potencialidades físicas para além das automatizações sociais – a mão que aperta o parafuso, o pé que anda em fila, a cabeça que assente quase que sem perceber -, continuaremos mancos.

Numa tentativa de sair da condição de manca, como qualquer outro indivíduo pós-moderno – cujo corpo é por definição e anatomicamente uma prisão, Luanna Jimenes lê. Modula a voz. Sente. Na fala e no corpo. Desconstroi, para então poder reconstruir, re-ordernar: o pé é agora germe, broto de vida; a mão, receptáculo do fruto mais desejado; a cabeça, eixo central que conduz a uma nova abordagem dos limites físicos de seu “eu” para com tudo o que há.

Em cada parte de sua série Lições de Ascensão ou Instruções para uma Verticalidade Luanna desenvolve uma nova concepção de uso de cada parte do corpo físico.

PLEXO UROGENITAL

Luanna desenvolve uma série de experimentos e performances audiovisuais. Descascar um abacaxi, preparar e tomar um suco de couve e chupar uma manga até o caroço são ações que, para além de relacionarem-se com o dia-a-dia da performer, também podem ser lidas como um tríptico de movimentos re-territorializados.

O momento marca uma virada em seu processo criativo. Inicialmente, a artista buscou leituras e teorias para fundamentar suas intenções e campo de estudo em sua Próxima Série aqui desenvolvida. A leitura judaico-cristã que identifica certas extremidades do corpo (pés, orelhas e rins) como partes consoantes ao broto do feijão, tanto visual quanto simbolicamente e que embasou umas de suas primeiras performances aqui, O Germe; deu lugar a uma novo ponto de partida para as performances do Tríptico de Frutas – Plexo Urogenital: ao invés de uma visão externa, a sua própria experiência individual como prerrogativa.

Retirar ações cotidianas de um contexto puramente casual para refazê-las em um ambiente de estudo e aprofundamento nas potencialidades dos signos corporais é, antes de tudo, um discurso que identifica no plexo urogenital três qualidades:

  1. a força necessária para manipular uma faca
  2. o prazer sentido ao chupar uma fruta
  3. por tomar um líquido amargo – o suco de couve sem tempero, a relação plexo-paladar não como fonte de prazer, mas como canal que nutre profundamente as vísceras do corpo.

E reconhecer em um conjunto de órgãos – não estabelecido socialmente, mas entendido com o corpo – tamanha magnitude é o que Deleuze propõe quando nos impele a destruir o “eu maior” e deixar a racionalização extrema de lado para, enfim, poder sentir. O desejo que vem de dentro e não de fora. Liberdade maior não há.

O corpo como assunto e ferramenta para esbarrar em sombras, materializar sonhos e desautomatizar desejos. Luanna Jimenes fala sobre a origem, o como e o porquê do trabalho performático que desenvolve durante a ONDA#5.

Luanna compila o texto dramaturgico, se reúne com os parceiros criativos, Laura Carvalho e Lucas Rampazzo, comenta o trabalho das perfomances realizadas no Atraves.TV e faz um primeiro ensaio duplo com Lucas.

estudo para uma performance:
A Pele

estudo para uma performance:
A projecao da imagem e o Corpo

Terminamos a semana oficializando o convite ao jornalista Daniel Benevides que se compromete a fazer um ou mais textos trazendo notícias do mundo para dentro da performance de Luanna.

14.08 a 20.08
LUANNA JIMENES

A obra final começa a ganhar forma a partir das contribuições dos parceiros criativos Daniel Benevides, Laura Carvalho e Lucas Rampazzo

Luanna faz a leitura performática díptica do texto de Daniel Benevides: Juno está próxima de Júpiter.

Laura Carvalho apresenta o projeto cenográfico Outono Japonês

Luanna experimenta o espaço e mais uma vez reage performaticamente ao texto Juno está proximo de Júpiter.

Juno Jupiter
com Luanna Jimenes

Arborescência
com Luanna Jimenes

RISCANDO O ESPAÇO. Luanna, Lucas e Laura discutem a montagem da estrutura cênica para a performance. Sem planejar, o texto de Daniel Benevides, “Juno está próxima de Júpiter”, condensou pensamentos e intenções de realização de todos os participantes. A feliz coincidência traz outros pontos de intersecção possíveis entre as 3 frentes artísticas que compõem essa onda – performance, cenografia e projeção.

Luanna e Laura decidem mudar a solução cenográfica e partem para um estudo com tecidos e a projeção de Lucas ao fundo.

Os cenotécnicos Diego Dac e Sauro Santos visitam o espaço para verificar a viabilidade do novo projeto cenográfico de Laura Carvalho e planejam a instalação junto com Luanna Jimenes e a assistente de produção do ATRAVES.TV Alessandra Cipolletta.

A semana encerra-se com uma breve preparação para Juno Jupiter.

21.08 a 27.08
LUANNA JIMENES

A montagem, ensaio e performance final

Luanna Jimenes conversa com a figurinista Sara Teitelbaum e a diretora Georgia Guerra Peixe sobre o figurino que está criando para sua performance.

Luanna trabalha sobre as projeções e trilha de Lucas Rampazzo para compor a performance Juno está próxima de Júpiter.

Laura, com ajuda dos cenotécnicos Diego Dac, Sauro Santos e a equipe do ATRAVES.TV, finaliza a montagem do cenário e fala sobre seu processo, como foi trabalhar com os outros parceiros criativos e o resultado até agora.

Uma performance em 3 atos – Júpiter, A Floresta e O Espelho

O grande dia finalmente chega: gravar a performance audiovisual que Luanna preparou incansavelmente durante todo o mês de agosto no estúdio do ATRAVES.TV. As câmeras de Luccas Rampazzo registram a primeira vez da performance valendo que será apresentada para um grupo de convidados da artista.

Com a presença de convidados Luanna faz uma apresentação da performance em 3 atos criada no estúdio do ATRAVES.TV. Os ajustes após o primeiro registro realizado e a presença das pessoas transforma a performance que amadurece, ganha tempo e aprimora o formato.

ato I – FLORESTA

No carro abafado de seus pais, o menino se entedia. Yamato Tanooka, de sete anos, olha pela janela. Estão em algum ponto de Hokkaido, ilha ao norte do Japão. Ele quer fazer parte do que vê. Quer sair de dentro, explorar o redor. Mexe nos bolsos. Encontra um punhado de pedras. Minúsculos asteroides.  Aperta o botão, o vidro desce.

A curiosidade é despertada pelo campo magnético dos outros carros que passam. Cores, luzes, ruídos. Carros e pessoas. Atira as pedras. Elas partem em curvas elegantes e batem nos metais das portas, na cara dos passantes. Yamato sonda a reação. Qualquer reação. Insiste. Insiste até se dar conta de que uma explosão maior se aproxima. É seu pai. Ele o abandona na beira da estrada, na beira de um universo desconhecido. Um castigo, senão divino, de enormes proporções.

ato II – JUPITER

Juno está próxima de Júpiter.

E bem longe da Terra – cerca de 800 milhões de quilômetros. A sonda espacial entrou na órbita do gigante gasoso no dia 4 de julho. Chegou a 4.500 quilômetros das primeiras nuvens do que parece ser uma atmosfera de enormes proporções, viajando a 250 mil quilômetros por hora. Não se sabe o que existe além das faixas coloridas que envolvem o maior e mais antigo planeta do sistema solar. Pode ser um núcleo rochoso ou uma massa compacta de gases.

Pode ser um feto, de tamanho mitológico.

Não se sabe, tampouco, o que é aquela mancha vermelha em sua face, que mais parece o olho de uma tempestade permanente.

Juno dará trinta voltas em Júpiter, durante 20 meses. Um ritual de acasalamento. Juno veste um cinto de castidade para proteger seus equipamentos. Um cofre de titânio. 200 quilos. O poder magnético de Júpiter é extremamente forte. Atrai e acelera partículas de alta energia, que vêm do Sol. Pode destruí-la antes que ela colete os dados sobre a origem do astro. Sobre sua formação. Sobre a possibilidade de vida em uma de suas luas, Europa, onde há água. Pois há pouca água em Júpiter.

ato III – O ESPELHO

Quando encontrado, dois quilos mais magro, Yamato está olhando para cima, por uma brecha no telhado tosco. Olha para algum ponto a milhões de quilômetros dali. Talvez, por alguma razão que a razão desconhece, consiga ver Juno, em sua trajetória até Júpiter.

Juno, a suicida.

O designer Lucas Rampazzo acredita que a limitação é essencial para qualquer criação artística. Confira o vídeo e entenda porquê!

Durante os 20 dias em que esteve imersa no estúdio do ATRAVES.TV, Luanna Jimenes desenvolveu nada menos do que 18 performances. Confira o seu depoimento sobre a experiência de estar sendo observada a todo instante e o que sentiu ao ver suas performances materializadas.

CONVIDADOS

LUANNA JIMENES
LUCAS RAMPAZZO
LAURA CARVALHO
DANIEL BENEVIDES

RE-INSPIRAÇÕES