primeiridade e infância

“Consciência em primeiridade é qualidade de sentimento e, por isso mesmo, é primeira, ou seja, a primeira apreensão das coisas, que para nós aparecem, já é tradução, finíssima película de mediação entre nós e os fenômenos. Qualidade de sentir é o modo mais imediato, mas já imperceptivelmente medializado de nosso estar no mundo. Sentimento é, pois, um quase-signo do mundo: nossa primeira forma rudimentar, vaga, imprecisa e indeterminada de predicação das coisas.”
SANTAELLA, Lucia. O que é Semiótica. São Paulo: Brasiliense, 2007

A primeiridade é um conceito semiótico que compõe o estudo da percepção do indivíduo em relação ao mundo. Esse é um primeiro momento de um estudo tríptico, composto juntamente pela secundidade e a terceiridade, consolidado pelo linguista Charles Peirce como Categorias Universais.

O primeiro momento é o momento de descoberta do desconhecido, de travar contato com um mundo ainda virgem de impressões para, em um segundo e terceiro momento obter sua compreensão e, posteriormente, interpretação.

Um paralelo possível pode ser encontrado nos diferentes momentos da vida humana: a infância é uma primeiridade, um momento de olhar para o mundo com os olhos cheios de novidades e de se deslumbrar com todas as suas novas formas e cores.

O que a realidade tem nos mostrado, no entanto, é que a infância tem se tornado cada vez mais curta durando em média cada vez menos tempo. Tudo isso graças ao desenvolvimento precoce das crianças que, cada vez mais envolvidas em meios tecnológicos e de comunicação, encontram caminho aberto para a sua independência através do conhecimento mediado.

Ao horizonte, vislumbramos uma tendência de intensificação nesse processo, devido ao desenvolvimento de instrumentos cada vez mais tecnológicos. Se, por um lado, teremos crianças carregando uma experiência maior de contato com o digital, possivelmente se encontrarão imersas em um ambiente hiper saturado de informações, provocando alterações sensíveis em seu contato com o mundo.

Quais serão essas novas vivências e contatos que essas crianças terão em ambientes mediados por tecnologia? Será que elas substituirão a primeiridade do real, criando um novo primeiro contato? Ou será um complemento para o olhar para o real?

Em um mundo com cada vez menos tempo de contemplação e de respiro, a infância se torna também mais veloz. Sem termos tempo para uma impressão primeira das coisas, somos logo bombardeados por um universo de signos. O que será desse mundo com menos tempo de absorção e reflexão e encharcado de estímulos?

Com certeza, formaremos homens e mulheres de um modo totalmente diferente.

para saber mais:

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