oiticica e o esquema geral da nova objetividade

A mostra Nova Objetividade Brasileira ocorreu no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro em 1967, reunindo artistas brasileiros de diferentes vertentes. Em comum, possuíam a posição vanguardista que tendia à ‘nova objetividade’, concepção criada pelo genial multi artista Hélio Oiticica.

Podemos encontrar as diretrizes estabelecidas no texto “Esquema Geral da Nova Objetividade”, lançado na ocasião da mostra. Dele, seis parâmetros delineiam o estado típico da vanguarda brasileira:

1 – vontade construtiva geral.

Oiticica identifica aqui uma tendência geral na arte vanguardista: a vontade de constituir uma identidade para a arte nacional. Essa vontade é rastreada desde o projeto Antropofágico de Oswald de Andrade, remontando a Semana de 22, onde a criação da arte que se identifica como nacional absorve e transforma as influências estrangeiras.

2 – tendência para o objeto ao ser negado e superado o quadro de cavalete.

A superação da estrutura clássica da obra de arte, o quadro em cavalete, propõe uma ruptura histórica e a conquista da possibilidade de reivindicar relevos, anti-quadros e construções espaciais enquanto objetos de arte.

3 – participação do espectador (corporal, táctil, visual, semântica, etc.).

Outro rompimento com a disposição padrão da exposição de arte é o rompimento com a ideia da contemplação passiva das obras de arte de duas maneiras: uma é a participação sensorial do espectador, manipulando e interagindo, e a outra é semântica e implica na própria criação de significados por parte do espectador da obra.

4 – abordagem e tomada de posição em relação a problemas políticos, sociais e éticos.

Oiticica evidencia a urgência da arte se posicionar nos campos para além do estético. Dentro das precárias instituições e organizações nacionais torna-se urgente que a arte imponha-se também nesse campo de disputa.

5 – tendência para proposições coletivas e conseqüente abolição dos “ismos” característicos da primeira metade do século na arte de hoje.

Repudia-se os “ismos” que marcaram as artes plásticas do inicio do século por acreditar que elas demarcavam um posicionamento ético e estético que restringia a formulação de pensamentos originais. Dentro da Nova Objetividade, havia espaço para vozes dissonantes habitarem e buscarem caminhos particulares.

6 – ressurgimento e novas formulações do conceito de antiarte.

Ao limitarmos o que é arte, criado o campo do que não é arte. A antiarte é aquela que desafia essas limitações, estabelecendo novos paradigmas ao desestruturar os antigos. Um desses enfrentamentos se dá no campo das ‘obras abertas’ que dependem do público para se realizarem completamente.

Montagem de Tropicália, de Hélio Oiticica

A mostra e o texto fundamental de Oiticica se tornou fundamental para compreender a produção artística da época e seus desdobramentos até os dias de hoje na arte vanguardista Brasileira.

Sua instalação TROPICÁLIA emprestou nome à música homônima de Caetano Veloso e se tornou a inspiração principal do movimento Tropicalista, o mais bem sucedido e revolucionário da música popular brasileira.

Hélio Oiticica (1979), curta de Ivan Cardoso

Sua influência desafia o tempo e desagua no 35˚ Panorama da Arte Brasileira, a ser realizada no MAM-SP a partir de 27 de setembro. Seu texto curatorial alude especificamente ao manifesto de Oiticica, e promete refletir tais parâmetros na produção artística contemporânea.

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