O velho, a árvore e o relógio

Uma breve e didática história sobre três concepções de tempo diferentes.

Quando Lúcio nasceu, seus pais plantaram um pequeno broto de Pau-Ferro no quintal da casa da família.

Sessenta e quatro anos depois, ele se gabava aos filhos e aos netos afirmando que aquela árvore alta e imponente tinha a mesma idade que ele. Falava que eles eram irmãos. Que enquanto a pele de um ficava grossa, a do outro ficava fina.

Aos noventa e quatro, o Pau Ferro continuava em pé. Falavam que ia durar mais uns duzentos anos. Mas números não possuem qualquer importância para uma árvore. Ela tem a própria temporalidade, assim como Lúcio tinha outra, uma reduzida. E o seu tempo acabou.

Venderam a casa para uma empreiteira famosa. O plano dela era construir um estacionamento de luxo. Esvaziaram a área, demoliram a casa e arrancaram a árvore. Na sala do diretor de planejamento da obra, o relógio organizava o tempo sempre em falta. Pensava nas cores das paredes, nos carros que iam estacionar, na catraca estilizada… E nos prazos, convivendo com sua ansiedade crescente e a constante corrida contra o relógio, que permanecia indiferente.

Ao final, Lúcio, o Pau Ferro e os planos do diretor de planejamento são apenas componentes diferentes de um mesmo tempo.

Esta história ilustra o pensamento de três grandes filósofos a cerca do tempo: Aristóteles, Santo Agostinho e Heiddeger. Cada personagem representa uma filosofia.

Lúcio

A ideia de que o tempo existe na medida em que o percebemos fisicamente. Lúcio percebe que está velho, pela espessura de sua pele. São os dois agoras aristotélicos. Um do que foi e outro do que é.

Pau-Ferro

A árvore e o humano tem longevidade de vida diferentes, mas um se equivale ao outro quando consideramos o tempo como percepção temporal. Santo Agostinho, filósofo católico, afirma que o tempo só existe porque nós o percebemos, nomeamos e tentamos compreendê-lo. Dialoga fortemente com Heiddeger.

Relógio

O diretor de planejamento cria a ansiedade pelo futuro. Heiddeger acreditava que o tempo não é uma criação humana, apesar de o colocarmos como tal pela nossa visão do passado e a imaginação do que está por vir.

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