o que é arte?

A questão de como definir o que é arte ecoa ao longo dos séculos. Como categorizar, delimitar e tornar tangível as tão diversas manifestações que hoje se encontram no campo das artes?

Essa pergunta suscitou diversas respostas e empreendimentos ao longo da história da arte. Respostas diferentes, adequadas e ao seu próprio tempo e sistematicamente subvertidas por aquilo que surgia em seguida.

Os museus, em sua concepção, foram uma forma de responder essa pergunta: Arte é aquilo que está no museu. Os artistas submetiam suas obras para aprovação do museu e, sob seu julgo, eram absorvidas e expostas.

Um momento de ruptura decisiva desta lógica se deu em 1863, com a rejeição do quadro Luncheon on the Grass, de Edouard Manet pelo Salão de Paris, exposição anual de obras selecionadas por um juri. Após o alto grau de rejeição sofrido por Monet e seus companheiros, que desafiavam a estética e temáticas usuais, as pressões dos artistas possibilitaram a criação do Salão dos Rejeitados, que acabou chamando a atenção para as novas tendências impressionistas e mais público do que o Salão regular.

Edouard Manet - Luncheon on the Grass

A recusa em criar novas edições do Salão dos Rejeitados levou ao grupo de artistas revolucionários como Claude Monet, Pierre Auguste Renoir, Paul Cézanne, Edgar Degas e outros a fundar uma cooperativa de artistas que organizaram exposições independentes para expor seus trabalhos, que foram bem aceitos pelo público e revolucionaram a história da arte. Esse movimento descentralizador inspira até hoje os artista.

Hoje a arte encontra outras formas de estruturar: se os museus ainda são instituições poderosas e fundamentais no contato com a arte, mas temos um número expressivo de galerias e espaços que diversificam esse contato e amplificam aquilo que pode ser considerado ‘arte’, pelo fato de estar dentro de um ambiente de exposição artístico.

Outro fenômeno que podemos encontrar na atualidade são as plataformas que se dedicam a mapear e a indexar artistas e obras de toda a história da arte no ambiente virtual. Algumas iniciativas nesse sentido são o WikiArt e o Google Arts & Culture que, ambos, são catálogos de artistas de diferentes momentos da história da arte.

O caráter totalizador desta missão é, sem dúvidas, deveras ingrato. Como catalogar um conhecimento tão instável como é o desse particular universo? Um catalogo de artistas ou de arte, necessariamente estabelece os limites do que é ou do que não é arte, do que é e do que não foi reconhecido como produção artística, oferecendo uma resposta.

O que é arte em um contexto, em outro pode ser simples artesanato. O que é lixo, pode se tornar arte (e vice versa).

Um exemplo contemporâneo é o PIXO, prática marginalizada e considerada muitas vezes como um crime. O pixo é uma expressão periférica e extremamente sintomática de uma condição de subdesenvolvimento. É também uma forma de expressão forte e violenta, como um grito contra a invisibilidade e a indiferença. O pixo é, também, reflexo do abandono sofrido por uma parte da juventude, distante dos aparelhos culturais e esportivos que encontra na pixação seu universo social. Mesmo com resistência, alguns pixadores já possuem o status de artistas.

A resposta para o que é arte parece estar sempre encontrando novas fronteiras, novas técnicas, novos artistas em uma sociedade em constante transformação. Com novos caminhos e novas respostas, a arte sempre avança.

para saber mais:

Generic selectors
Exatamente
Procurar Titulos
Procurar no Conteúdo
Procurar nos posts
Procurar nas Páginas

OUTRAS DO BLOG