PROCESSO CRIATIVO

IACO VIANA * COLAB RESILIÊNCIA ARTÍSTICA

Durante dois dias de trabalho, o artista plástico e grafiteiro Iaco Viana criou junto com artistas convidados a instalação “Guerra do Cinza”. A obra, em parceria com os grafiteiros e pichadores Frasão Feik, Alex Kaleb Romano, Alexandre Urch, Enivo, Space Super, Fugas, Fab e Dalcin, propõe um diálogo sobre arte urbana, resiliência artística e a cidade e procura recriar o espaço urbano paulistano.

“Como acontece na cidade, grafitamos, pichamos e depois apagamos os desenhos, pintando tudo de cinza. E aí pichamos tudo de novo, criando uma nova imagem. Fizemos isso para demonstrar que a cidade é como uma lousa”, explica o artista, acostumado com as intempéries cotidianas a que a pichação e o grafite estão sujeitos. No primeiro dia de trabalho, eles encheram nosso estúdio de cores e poesia; e no segundo dia surpreenderam ao pintar o estúdio todo de cinza, para depois usarem os sprays para uma nova rodada de grafite e pixo. No processo, foram gastos cerca de 30 sprays da marca Arte Urbana.

“Acho que essa mistura que desenhamos aqui representa bem a cidade. Existe uma ideia de grafite que é relacionada à beleza, mas que eu sou contra. Acho que com essa obra criamos um mix, você entra aqui no Atraves\\ e parece que está na cidade”, completa.

Ele explica que a escolha de uma escrita tipográfica legível foi feita justamente para as pessoas entendam seus escritos e para que isso faça parte da vida delas. Ele recusa rótulos, mas atua como um poeta das ruas ao pichar frases como “A vida se perde lá fora”, “Estamos todos marcados” e “Nós existimos para sermos apagados, mas nunca esquecidos”.

Iaco conta que não teve dificuldades de criar em um espaço fechado, em contraponto ao espaço das ruas, onde normalmente atua. “Eu sou acostumado a pintar telas em lugares bem menores que aqui, então não foi difícil. E a gente tentou reproduzir o ambiente da cidade no estúdio. Criamos um clima de amizade e festividade”, conta.

Iaco e seus 8 amigos-colaboradores consumiram, durante as 12 horas de trabalho, pelo menos quatro garrafas de Catuaba Selvagem e uma de cachaça e foram embalados ao som de muita música. O artista, que está intensamente envolvido nas discussões atuais sobre arte em contextos urbanos, disse que chegou a convidar mais colaboradores para participarem. “Mas depois do que aconteceu, tem muitos que estão com medo de aparecer”.

É que Iaco foi protagonista de um dos protestos mais emblemáticos feitos contra o prefeito Doria devido ao apagamento dos grafites da Avenida 23 de Maio, no final de janeiro. Sobre a tinta cinza deixada nos muros pela prefeitura, o artista escreveu 12 vezes o sobrenome do prefeito. Ele passou a ser investigado pelo Deic-SP e o caso tomou na internet.

O grafiteiro assume sua postura política e defende que “spray não é arma”. “Quase 12 anos trabalhando para as pessoas entenderem que nós não somos criminosos, que o spray não é uma arma e que o que a gente faz é se manifestar”, disse. “ A vida é muito ampla. Acho que se preocupar com um rabisco na parede é o mínimo, há muitas coisas para se preocupar. Isso aqui é pra se distrair”, complementa.

A instalação “Guerra do Cinza”, de Iaco Viana e colaboradores, faz parte dos processos criativos registrados durante da nossa primeira ação colaborativa deste ano, a Colab #5 Resiliência Artística, em parceria com a Galeria Tato e o MITsp.

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