o futuro da arte segundo douglas coupland

O artista e teórico cultural Douglas Coupland, que inventou o termo que definiria uma geração inteira com seu livro Geração X – Contos Para Uma Cultura Acelerada, reflete sobre uma possível transição cultural – e quem melhor?!

Tradução do texto escrito por Douglas Coupland, originalmente publicado no Artsy.

Em 2014, do lado de fora de uma cabine da galeria Third Line, por ocasião do Art Dubai, ouvi um visitante dizendo para o outro, “Sabe, acho que realmente estou começando a ficar de saco cheio dessa ‘arte de conflito’”, e eu pensei comigo, Rapaz, você ainda não viu nada. Assim como o futuro a curto prazo da cultura. 

A batalha do que significa ser um indivíduo nunca foi tão discutida: o embate cada vez maior entre modernidade e eternidade; jihad contra o McMundo; o paraíso contra o vazio absoluto; ciência versus religião; emoção versus razão, ou seja lá como você prefere chamar.

As ações do Estado Islâmico e a esquizofrênica bancada de direita norte-americana, com seus políticos religiosos fervorosos, são a manifestação da mesma situação: o pensamento eternista confinado em um bunker que leva cada vez mais marteladas das poderosas tecnologias logarítmicas e algorítmicas, das impressionantes descobertas biotecnológicas e de uma economia global totalmente sistematizada e plenamente desenvolvida.

E, para piorar este embate, há o eclipse repentino do indivíduo do Iluminismo por três bilhões de usuários online (no momento), pulverizados ao redor do mundo, que geram dados. O que esse cenário parece anunciar é a era – cada vez mais próxima – do culto à individualidade sem nenhuma sensibilidade.

Douglas Coupland, Slogans para o Século XXI, 2011-2014.

Então estamos todos juntos nessa, dividindo esta nova dinâmica – e aquela leve tontura que acompanha a percepção de que esse quadro só vai se intensificar cada vez mais. Na realidade, nunca irá cessar. Como os futuros artistas lidarão com isso – fazendo arte abstrata ruim? Morando em Berlim por 6 meses? Plantando milho em pontos de ônibus? Fazendo seitas burocráticas nas micro comunidades de seus bairros? Fingindo que são mais politizados do que realmente são?

Respostas a estas novas formas de autodefinição só podem gerar novas formas de arte.

Instalação de Douglas Coupland, Otimismo vs. Pessimismo, em Berlim, 2014. Daniel Faria Gallery.

Mas talvez outra forma de olhar para o futuro da arte seja perguntar como a arte do futuro deve parecer?! Seu cérebro automaticamente imagina algo relacionado a inventividade tecnológica – o de todo mundo imagina! Como enormes cúpulas incandescentes que cobrem quilômetros, seus deslumbrantes sistemas de iluminação de cassino alimentados pelos resíduos corporais e compostas orgânicas dos artistas, enquanto pequenos skates elétricos flutuantes e não tripulados jogam cápsulas preenchidas com um gel que quando consumido faz o cérebro sentir que está obtendo aprovação paterna.

A tecnologia parece ser algo que mexe com todo mundo. Religiões ortodoxas a odeiam. As culturas seculares e capitalistas a amam – na verdade, precisam dela. O mundo da arte a vê com reverência, desdenho, medo e uma necessidade de codificá-la antes que ela o codifique – ou ao menos para fazer parecer que os professores não são tão completamente desatualizados quanto já parecem aos olhos dos estudantes. (“Sarah, antes de me entregar o trabalho sobre as minhas teorias sobre a percepção do tempo e como o mundo está acelerado, me mostra rapidinho como criar uma nova camada no Photoshop?”)

Questionamentos surgem: é possível fazer da tecnologia uma ferramenta política novamente? É muito comodismo apenas sentar e esperar pela nova parafernália tecnológica criada no Palo Alto? Quem você preferiria que tivesse inventado os mecanismos de busca: o governo norte-americano ou o Google? Seja honesto(a). Não é como se os mecanismos de busca pudessem ser inventados na Coreia do Norte.

Douglas Coupland, Slogans para o século XXI, 2011-2014.

Voltando à arte: o próximo grande tsunami esperando para inundar o mundo da arte é a impressão em 3D. Espere. Eu sei. Você lê “impressão 3D” e imagina um quiosque do shopping onde fazem coberturas de bolo e adolescentes de 17 anos imprimem figuras geométricas e brinquedos eróticos (eles o fazem, você se surpreenderia…). Mas em dois anos a maior parte dos smartphones terá algum tipo de scanner 3D embutido, rudimentar ou quem sabe bem desenvolvido. O preço destas impressoras está diminuindo cada vez mais – elas são basicamente pistolas de cola quente acopladas a diretrizes vetoriais X/Y.

O que as pessoas farão com tudo isso? O que o ISIS fará com isso? E Hollywood? Monsanto? A impressão 3D é um novo continente que precisa ser explorado, mas lembre-se que até mesmo aquilo que parece incrivelmente óbvio leva algum tempo. Levou mais de uma década para que os smartphones entendessem que a selfie era uma coisa nova. As coisas só parecem óbvias no momento em que são identificadas.

Ah sim, eu poderia ter pensado nisso.

Sim, mas

você não
pensou.

Aqui na terra, o melhor lugar para procurar minerais raros são os lugares onde grande colisões aconteceram – na época em que o planeta era fundido e pedras do tamanho de plutoides estavam por toda parte. Seis bilhões de anos depois e nós habitamos um universo de plutoides sociais que se envolvem em guerras de comida ontológicas. Quem irá acertar o outro e com o quê? O que isso irá gerar?

O futuro da arte precisa ser algo que seja ao mesmo tempo lento e rápido. E eu espero que isso aconteça logo.

Retrato de Douglas Coupland em seu estúdio em Vancouver por Jennilee Marigomen, com assitência de Walter Manning, para Artsy.
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