memórias reais e algoritmos

O app Fotos seleciona imagens da biblioteca de celular e computador dos usuários e os apresenta em um álbum intitulado Memórias em formato de fotos ou vídeos. Se o usuário quiser, ele pode ter esse serviço diariamente.

O site do app diz que a seleção é feita “automaticamente em busca de pessoas importantes, lugares, férias”

Mas o que é considerado importante pelo app? E como ele determina o que é importante?

Quem já viu um vídeo ou álbum de fotos que brota, às vezes de maneira invasiva, do celular ou das rede sociais muito provavelmente já se surpreendeu com a presença constante de algum amigo ou familiar que a pessoa não se lembrava de ter encontrado tantas vezes no ano anterior; já se encantou com algum lugar visitado em uma viagem que já não se lembrava mais; ou ainda com algum momento que estava esquecido em algum canto do cérebro e talvez do coração. E então é quase automático que o usuário fique grato a esses dispositivos por eles trazerem à tona essas lembranças adormecidas.

Mas essas memórias visuais geradas automaticamente são mais fiéis à realidade que as nossas próprias percepções? E em que medida as memórias geradas por aplicativos e redes sociais mudam nossas memórias e também as nossas relações?

Alguém que assistiu um vídeo de memórias pegou o telefone para entrar em contato com a pessoa que apareceu no vídeo. Mas, também é provável que alguém tenha deixado de encontrar um amigo querido porque “matou as saudades” de maneira virtual. Essas memórias geradas por apps também têm o poder de levar uma pessoa a realizar uma leitura afetiva diferente da que tinha antes de ver a foto ou vídeo.

No que diz respeito à memória, alguns professores de línguas já chamaram a atenção para o fato de que antes de os alunos terem a possibilidade de checar os significados das palavras imediatamente em dicionários online, eles memorizavam vocabulário de maneira mais sólida. Os alunos liam uma certa palavra em diferentes contextos, sem checar o significado e, aos poucos, iam apreendendo seu sentido e a memorizando. Já na atualidade, os alunos tendem a checar imediatamente o significado de novas palavras, as esquecendo logo em seguida.

Estabelecendo um paralelo com esse processo de aprendizado, vale perguntar de que maneira será afetada a memória das gerações cujas experiências são constantemente registradas em fotos e vídeos e quase imediatamente compartilhadas nas redes sociais.

um ensaio de Tais Borges

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