memória líquida

O sociólogo polonês Zygmunt Bauman viveu uma era de transformações.

Nascido em 1925, teve a privilegiada oportunidade de ser testemunha viva das mudanças que atravessaram quase um século. Um século de guerras, conquistas tecnológicas e mudanças comportamentais. Sua morte em 2017 pôs o ponto final em uma obra extensa que mudou a forma como entendemos a contemporaneidade.

O conceito de liquidez tornou-se fundamental para compreender o comportamento que rege os mais diferentes aspectos da nossa sociedade: nos tempos atuais, as relações, de forma geral, tendem a ser menos frequentes e duradouras, mais rarefeitas e superficiais. Uma de suas frases nevrálgicas pode ser traduzida para a língua portuguesa como: “as relações escorrem pelo vão dos dedos”.

As relações amorosas deixam de ser estáveis e duradouras e passam a ser um acúmulo de experiências (Amor Líquido), a insegurança torna-se não mais a excessão, mas a regra como realidade do sujeito pós-moderno (Medo Líquido) e assim por diante… A sua visão, tida como pessimista, é ampla e abrange diversos e diferentes aspectos do universo social, mas e em um mundo de constantes transformações, como Bauman vê a memória?

Em um mundo onde as informações se multiplicaram em uma quantidade quase infinita, como lidar com o excesso de conteúdo novo, constantemente atualizado? Bauman já precavia quanto aos riscos da memória como retrato infiel do passado:

“A memória não é um bom guia para seguir porque cada memória é seletiva. Não há dúvidas de que não podemos lembrar de tudo, nossos cérebros não são feitos para isso… Há uma abundância de espaços em branco que você tem que preencher para dar sentido aos eventos, e você os preenche pela imaginação. Assim, o que se diz pode ser verdade, mas talvez não. Talvez houvesse uma tal relação causal entre o evento A e o evento B, mas apenas eventualmente.”

Se as novas tecnologias são a causa desse excesso de informação, elas também podem ser uma resposta, segundo Bauman:

“Agora temos a computação em nuvem e, com isso, podermos guardar as nossas memórias em outro lugar, distante, sem mantê-las em nossos cérebros.”

Nossas memórias e cérebros limitados já sofriam com as altas cargas de trabalho e informação decorrentes da revolução industrial e, agora, com a pós-modernidade, esse processo certamente se intensificou. Cientistas apontam para como nossa mente torna-se cada vez mais incapaz de tomar decisões, como resultado do cansaço mental a que estamos nos submetendo. Em um mundo deslocado de tradições, narrativas pré estabelecidas, tomar decisões é essencial.

A memória líquida, portanto, seria também um resultado da aceleração tecnológica a que estamos nos submetendo, exigindo cada vez mais um exercício de adaptação e atenção. Bauman, entre todas as mudanças que presenciou, apontou a tecnologia como uma resposta e como um problema.

Resta a nós decidirmos o seu uso.

 

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