MARISE HANSEN

No ATRAVES\\, Marise participou da ONDA#1 AR: Início, criando uma poesia ao vivo a partir das intervenções da CIA DOS TOLOS e de Allann Seabra.

Abro os olhos, branco.

Abro os olhos, branco.
Fecho os olhos, breu.
No escuro, procuro.

Onde, as palavras?
Onde, as repostas,
Onde, o eu?

No claro impiedoso,
No escuro vertigem?
Na nuvem, na névoa, na neve,
No asfalto, no pneu?

No sal, no pó, na noiva,
No leito nupcial?
Na treva, na noite, no meio
Do temporal?

No leite, no arroz,
No polvilho,
No vinil, no feijão,
No gatilho?

Na pétala caída no chão,
Na faca no coração,
No ponto cego no espaço,
No preto sutil do balão?

Na paleta, na pantera,
Na farinha, na peneira,
No café que te desperta,
No caixão, no hospital?

Onde, as palavras?
Onde, as repostas,
Onde, o eu?

Abro os olhos, breu.
Fecho os olhos, branco:
Súbito vazio mental.

Marise Hansen
ATRAVES.TV 03/02/2016

 

MARISE SOARES HANSEN é poeta.

Sua estreia em livro se deu em 2015 com Porta-retratos, pela Ateliê, mas a iniciação na poesia própria e alheia se deu ainda na adolescência. Ou antes.

Nasceu em 19 de março, na região central de São Paulo. Formada em Letras pela FFLCH-USP, nessa universidade também concluiu o Mestrado em Literatura Brasileira, com dissertação sobre a paródia do Romantismo em Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, e faz Doutorado sobre João Guimarães Rosa.

É professora de Literatura no Colégio Bandeirantes, em São Paulo, e autora de análises literárias para a Companhia das Letras e Ateliê Editorial.

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