manoel de oliveira

Manoel de Oliveira teve uma peculiar trajetória em sua carreira cinematográfica.

O cineasta, nascido em 1908, realizou seu primeiro filme, “Douro, Faina Fluvial”, em 1931. Antes disso, havia se arriscado nos esportes atléticos e até mesmo na atuação, mas foi no oficio do cinema que o homem se encontrou. Esse primeiro filme marca o início de uma produção que deságua em seu primeiro filme, “Aniki Bóbó” (1942), um precursor do cinema neo-realista ao mostrar a realidade dos meninos de rua de Lisboa.

Portuguese director Manoel de Oliveira looks on during a shoot last week in Lisbon in this handout photograph released December 6, 2008. Oliveira will celebrate December 11 his 100th birthday directing his latest project "Singularidades de uma rapariga loira" (Blond girl singularities). REUTERS/Jorge Trepa/Handout (PORTUGAL) - RTR22BNI

O filme não foi bem recebido pela crítica, o que levou o cineasta à um hiato de 14 anos, retomando sua produção em 1956, com “O Pintor e a Cidade”, também um curta metragem documental. Seu segundo longa-metragem veio somente em 1963: chamado de “Acto da Primavera”, retratava uma encenação popular da Paixão de Cristo, unindo elementos ficcionais e documentário. No ano seguinte, alguns diálogos no média metragem “A caça” lhe renderiam dez dias de prisão. Era tempo da ditadura de Salazar.

Os dez dias de prisão marcaram o momento mais difícil da vida de Manoel de Oliveira:

“Foi uma experiência horrível. Não tanto pelas privações ou incômodos físicos. Não fui espancado nem torturado, mas pela intolerável monotonia. Enterrado vivo, pensei em suicidar-me várias vezes. Chorava de tédio. Dava murros nas paredes.”

Com a censura e a falta de financiamento, os trabalhos de Oliveira nessa época foram escassos em número e duração. Sua produção tornou-se constante e prolífica a partir do ano de 1972, quando retornou às ficções com o filme “O Passado e o Presente”. Dois anos mais tarde, a Revolução dos Cravos coloca fim a ditadura de Salazar. Manoel inicia uma série de quase um filme por ano, já um senhor de 66 anos.

“Com a idade, perde-se a juventude, mas, à medida que se perde a juventude e certa vitalidade próprias da juventude, aumenta-se a sabedoria, a prudência e várias outras qualidades. Enfim, Deus dá as nozes a quem não tem dentes”.

Essa produção se extende entre 1972 até 2015, acumulando prestigio nos mais reconhecidos festivais europeus e alcança o status de lenda no cinema português. Seu último filme, entre os mais de 50 realizados, é “O Velho do Restelo”, lançado em 11 de dezembro de 2015, data do seu último aniversário, quando contabilizava 106 anos.

Manoel de Oliveira nos deixou em 2 de abril do ano seguinte: seus filmes, ficaram.

“Se há uma coisa que nos torna pacíficos, para o bem e para o mal, é a morte. Ela é sempre certa e isso dá-nos algum conforto”

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