lições de um espelho d’água

O homem existia.

Incapaz de perceber-se no mundo, o homem existia entre os instintos primitivos que garantiam sua sobrevivência. Sua noção limitada do Eu (Ego) e do estar-no-mundo traduzia-se nos seus gestos violentos para aplacar a fome persistente e para se defender das ameaças que o rodeavam. Seu modo de agir permitiu e garantiu a manutenção de sua existência.

Lagrenee - Echo and Narcissus

O homem resistia.

Esse livre fluxo das vontades que marcou o começo da aventura humana foi lentamente sendo substituído por uma outro maneira de agir perante o mundo: O EGO delimita o ID e aplaca seus impulsos primitivos, segundo a teoria freudiana, tornando o homem progressivamente consciente da sua ação e das repercussões de suas ações no mundo. Torna-se consciente do seu ser.

O homem dotado da capacidade de refletir.

Se a água realmente foi o seu espelho primeiro – a primeira superfície capaz de fazer ao homem o vislumbre da forma que o constitui – é através dela que se forma e se complementa a nossa noção de Eu, delimitando formalmente a distância entre o sujeito e o mundo em que ele habita e criando um conjunto fatores que tornaram-se determinante na construção social do homem.

Torna-se fundamental a reflexão.

Essa interpretação dá, para a água, uma outra e desconhecida capacidade: a de revelar a natureza humana. No mito grego de Narciso, o jovem herói de Téspias, filho do deus do rio Cefiso e da ninfa Liríope, nasce com a terrível sentença de viver uma vida sem se olhar ao espelho, devido à sua beleza e charme próprios.

O reflexo torna-se um perigo.

Após recusar moças e ninfas apaixonadas, julgando-as incapazes de estarem à altura de sua beleza, Narciso senta-se na beirada de uma lagoa e, através das águas, reconhece o homem mais belo que já existiu: ele mesmo. Seu encantamento é tamanho que ali permanece por dias, semanas, meses… até definhar e morrer.

Em seu lugar, nasce uma flor.

Por uma nova luz, surge uma outra leitura para o mito de Narciso: Se a pura fruição dos instintos primários deve ser coibido, o contrário, o completo estrangulamento das pulsões e ímpetos demasiados humanos também pode ser danoso e prejudicial à constituição do homem.

O caminho do meio torna-se a resposta e mais uma lição dada pela água.

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