goethe x newton

“O oposto de uma suposição correta é uma suposição falsa. Mas o oposto de uma verdade profunda pode também ser uma verdade profunda.” (Niels Bohr)

17 de maio de 1798. Goethe pega emprestado um prisma, a fim de observar a passagem da luz e sua projeção sobre uma parede branca recém-pintada, na expectativa de ver o facho se decompor em todas as cores do arco-íris.

Era isso o que prometia a teoria de Isaac Newton, ideia demonstrada através de experimentos como o seu famoso disco de cores – dispositivo que põe as cores do arco-íris em movimento até resultarem no branco – e amplamente aceita pela comunidade científica da época. Segundo o cientista inglês, a luz do sol poderia ser decomposta em diferentes cores constituintes de seu espectro.

Goethe não seria Goethe se não tivesse concluído, através de seu pequeno experimento, que o grande Newton estaria equivocado. Como seria possível a pura luz branca encerrar em si todas as cores, considerando que cada uma delas já é mais escura que a luz branca?

“As cores são ações e paixões da luz. Nesse sentido, podemos esperar delas alguma indicação sobre a luz. Na verdade, luz e cores se relacionam perfeitamente, embora devamos pensá-las como pertencentes à natureza como um todo: é ela inteira que assim quer se revelar ao sentido da visão.” 

(Doutrina das Cores – J. W. Goethe)

Goethe_Farbenkreis_zur_Symbolisierung_des_menschlichen_Geistes-_und_Seelenlebens_1809-e1440598899150Para o alemão, as sensações de cores que surgem em nossa mente são também moldadas pela nossa percepção – pelos mecanismos da visão e pela maneira como nosso cérebro processa tais informações. Para sustentar a sua visão na qual as principais característica das cores são a simetria e a complementaridade, Goethe propôs modificar o círculo de Newton que possuía sete cores sustentadas sob ângulos desiguais. Cria um círculo simétrico, onde as cores complementares localizam-se em posições diametralmente opostas no círculo.

Para Newton, apenas as cores do espectro poderiam ser consideradas como fundamentais. Goethe, baseando-se em seus experimentos, conclui que cores como o magenta (uma cor não espectral) possuem um importante papel para completar o círculo das cores.

Por não comprovar cientificamente suas teses, a Doutrina das Cores de Goethe caiu em descrédito na comunidade científica e despertou pouco interesse entre os artistas da época. No entanto, suas observações foram resgatadas no início do século XX entre os estudiosos da Gestalt e artistas expoentes da escola de Bauhaus, como Paul Klee. Os estudos de Goethe também foram decisivos para a formulação de teorias posteriores acerca da psicologia das cores.

De certa forma, não podemos dizer que uma teoria é mais verdadeira que a outra, pois ambas tratam de níveis diferentes da realidade: o poeta fala a partir da natureza viva que se comunica através dos nossos sentidos e o cientista a partir de uma natureza matematicamente quantificada e experimentalmente forjada. 

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