fotografia como carta póstuma

Nos últimos anos, vários casos de rolos fotográficos de imenso valor histórico que foram descobertos apenas recentemente vieram à tona. A empolgação e celebração com a qual costumam ser recebidos reafirmam o poder da fotografia em ser, para além de um registro, um artífice da memória – individual e coletiva.

Fotografamos muito. Em um cenário no qual a função de telefonia celular dos smartphones não está nem entre os três recursos mais usados destes aparelhos, a câmera ganhou importância, democratizou o recurso e tornou a todos nós, seus usuários, potenciais fotógrafos. Divulgamos e trocamos o material audiovisual que captamos e produzimos em nossos pequenos aparelhos com incrível facilidade. Mas essa é uma faceta relativamente nova da revolução tecnológica em que vivemos, cenário inconcebível no século passado.

Não é que antes as pessoas não registrassem seu olhar através da fotografia, mas não era incomum que algumas não chegassem a ver suas próprias fotos.

É o caso da babá norte-americana de origem francesa, Vivian Maier, que passou a vida toda registrando instantes e detalhes que a fascinavam com sua inseparável Rolleiflex, mas que só viu algumas destas fotografias quando conseguia revelá-las em seu banheiro convertido em laboratório. Grande parte das mais de 100.000 fotografias que tirou ao longo da vida permaneceram ocultas até o colecionador John Maloof arrematar uma caixa com seus negativos em um leilão, fascinando o mundo com a descoberta de uma fotógrafa até então anônima e cujas fotos eram dotadas de tremendo senso estético.

Apesar da “descoberta” de Maier ter sido acidental, já existe um grupo de restauradores que se dedica justamente a esta atividade. Trata-se do Rescued Film Project, que recupera rolos de filmes não revelados pelo prazer de serem os primeiros a verem uma fotografia, além de uma espécie de compromisso ético em mostrar ao mundo algo que foi registrado, mas nunca compartilhado.

Cada quadro captado reflete um momento que tinha a intenção de ser relembrado. A foto foi tirada, o rolo foi todo gasto e rebobinado e, por razões que apenas podemos especular, nunca revelado. Estes momentos nunca foram parar em álbuns de fotografia, ou emoldurados cuidadosamente na parede.

“Nós acreditamos que estas imagens merecem ser vistas, de forma que a experiência pessoal do fotógrafo seja compartilhada, marcando para sempre sua existência na História. O filme é um material orgânico e perecível, e nosso compromisso é resgatar o máximo de rolos possíveis antes de se deteriorarem.”

Algumas fotos de um lote de 31 rolos recuperado pelo Rescued Film Project. Os registros datam da Segunda Guerra Mundial e foram feitos por um soldado anônimo.
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