forma, conteúdo, teatro

O teatro é uma das expressões artísticas mais antigas, tendo seu início em danças religiosas das primeiras sociedades. Era uma triangulação cênica do divino com o palco, onde a plateia e os atores compartilhavam do mesmo transe. O diálogo com o mundo e os homens foi se modificando com o tempo. Guerras, crises, ideologias e tecnologias reinventaram a arte teatral para enfim fazer do público parte da peça.

Teatro Grego

A confirmação sobre como o formato dos espetáculos mudou é evidente. O palco alongou-se e suas beiradas estão no hall de entrada do teatro e não mais confinadas aos assentos da primeira fila, como é o caso da peça A alma boa de Setsuan de Bertold Brecht encenada por Denise Fraga e com a direção de Marco Antônio Braz e adaptação de Marcos Cesana.

Bertold Brecht, Nelson Rodrigues e Eugène Ionesco são alguns dos percussores destas novas perspectivas do teatro. Mas nenhum pode prever que viveríamos em uma época onde forma e conteúdo estivessem tão apartados, e que a abstração tomaria mais espaço que a concretização.

Um exemplo são as produções e perfomances de Alexandra Bachzetsis, especialmente da sua série Best Of . Dentro de um museu, performistas pediam para os visitantes trocarem de roupa com eles. O movimento começou tímido e foi se alastrando. As pessoas começaram a trocar de blusas e calças como se trocam sorrisos até o momento onde não era possível encontrar as peças das quais estavam originalmente no corpo. É a perda total da forma pelo conteúdo, onde a ideia de indivíduo e intimidade é posta em xeque por uma proposta que se utiliza de movimentos abstratos.

É cada vez mais comum nas artes estas substituições e ponderações. Mas até que ponto as barreiras da forma poderão ser quebradas antes que a própria noção de individuo se perca?

Alexandra Bachzetsis – BMW Tate Live: Performance Room

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