fluxo humano

Uma das propriedades mais específicas da água é sua capacidade de adaptação.

Por entre paralelepípedos, asfalto ou troncos, a água encontra seu caminho através da mais pequena passagem. É sua condição natural seguir seu fluxo e encontrar uma passagem. Assim faz o próprio ser humano que, para sobreviver, parte de sua terra em busca de condições mais prósperas para si e sua família, um lugar de oportunidades plurais e livre de guerras, fome ou perseguição.

Uma multidão em movimento, esse é o retrato que, ao longo de um ano, o diretor Ai Weiwei trabalhou para criar no documentário The Human Flow. O artista chinês acompanhou crises de refugiados em 23 países, incluindo França, Grécia, Alemanha, Iraque, Afeganistão, México, Turquia, Bangladesh e Quênia.

Ai Weiwei, que já foi preso político do governo chinês, retrata as causas que levam milhões de pessoas a abandonarem seus países de origem, refletindo sobre as dificuldades encontradas na busca por uma vida melhor. Compartilha seu olhar politizado com uma multidão em busca por uma nova casa, após serem expulsas de suas antigas.

A capacidade de exercer a empatia independe de possuir ou ter possuído, em si, o mesmo sofrimento que acomete o outro. Ser solidário é ser capaz de olhar para o outro e entender sua condição e o seu sofrimento, fruto de disputas políticas e sociais capazes de retirar mesmo os mais básicos direitos do ser humano. É retirar a dor da invisibilidade e tornar pública a sua luta.

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