fast fashion: os limites do consumo

A moda, como fenômeno da sociedade ocidental, foi um processo que surgiu em meados do século XV, durante o renascimento europeu, como forma de traduzir as distinções existentes entre idade, gênero e classe social para as vestimentas. A indústria da moda, como a conhecemos hoje, nasce de uma intensificação dos processos industriais que marcaram o século XX. O que antes era uma necessidade anual, comprar roupas ou ir à uma loja, tornou-se sazonal, depois mensal…

Hoje, com a intensificação do surgimento de novas tendências, as coleções duram cada vez menos tempo, propiciando o surgimento do fenômeno fast fashion: roupas criadas por grandes companhias de varejo que, tão logo são criadas, são vendidas ou descartadas e renovadas, em alucinante ritmo que gera lançamentos todos os dias.

Mas tal intensa produção só se tornou possível pelo consequente processo de globalização, decorrente do final do mesmo século XX. Com a criação de fábricas têxteis em países periféricos, como Bangladesh, Vietnã, Camboja e China, que não possuíam legislações que protegessem seus trabalhadores e nem uma cultura sindical implicada, a exploração da mão de obra barata implantou o tripé da produção necessária: rápida, massiva e de baixo custo.

O efeito colateral dessa escalada na precarização da produção pode ser visto em algumas tragédias, como a que aconteceu em abril de 2013, quando um prédio de oito andares desabou na periferia de Bangladesh, matando 1.133 pessoas. O edifício abrigava cinco fábricas de confecção de roupas e empregava mais de 2 mil trabalhadores, que produziam itens para empresas como Walmart e Primark e ganhavam R$360 por mês, em jornadas de 10 horas diárias, 6 dias por semana. Os funcionários haviam avisado aos gerentes do surgimento de rachaduras, mas eles optaram por continuar a operação.

Promotional photograph to be used only in conjunction with the film MANUFACTURED LANDSCAPES, a Zeitgeist Films release.

Na verdade, as denúncias de trabalho análogo ao escravo remontam aos anos 90, quando a Nike foi acusada de utilizar trabalho infantil em fábricas na Ásia. Desde então, a falta de ética no processo de fabricação de mercadorias por grandes empresas é discutida pela sociedade. Infelizmente, as discussões parecem pouco eficazes enquanto marcas como Zara e a M.Officer utilizam-se de trabalho análogo ao escravo dentro do próprio território nacional, como foi denunciado na última década.

A mudança parece funcionar com efetividade quando acontece em nossos padrões de consumo, seja selecionando melhor as marcas que compramos, seja rejeitando estímulos de compra que obedecem alimentam ciclos de produção insustentáveis. O poder do consumidor é maior do que parece e, quando bem informado, é capaz de pressionar mudanças positivas na indústria.

Um exemplo foi a empresa global de fast fashion sueca H&M, que anunciou no ano passado que a preocupação em fabricar roupas de maneira ética se tornaria a nova prioridade para a companhia, prometendo garantir salários justos para os trabalhadores de confecções terceirizadas até 2018, além de produzir roupas com algodão sustentável até 2020.

Para saber mais sobre a questão, veja o trailer do filme The True Cost:

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