De quantos nascimentos e mortes se constitui uma vida? De quantos partos uma pessoa precisa para nascer? Com quantas palavras se faz um corpo? Essas perguntas movem Eliane Brum em um percurso delicado pelas memórias da infância.

Ao narrar sua história com as palavras, a mulher adulta busca dar um sentido ao vivido pela menina. Em Meus desacontecimentos, lançamento da editora LeYa, Eliane revela como criou um corpo de letras para dar conta do enorme desafio de construir uma existência com significado. Logo no início, porém, ela já alerta o leitor de que a vida de cada um é sua primeira ficção: seu livro deve ser lido como uma história em movimento, na qual cada capítulo está aberto a uma nova decifração, já que numa trajetória humana nem a morte é um ponto final.

“Lembro que, quando tudo começou, era escuro. E hoje, depois de todos esses anos de labirinto, todos esses anos em que avanço pela neblina empunhando a caneta adiante do meu peito, percebo que o escuro era uma ausência. Uma ausência de palavras. Essa escuridão é minha pré-história. Eu antes da história, eu antes das palavras.
Eu caos”. – Eliane Braum

Em cada página, personagens fantasticamente reais incorporam-se. A irmã morta, que era a mais viva entre todos. A avó, comedida em tudo, menos na imaginação. A família que precisou de uma perna fantasma para andar no novo mundo. As tias que viravam flores para não murchar. No livro, a menina que flertava com a morte conta como foi salva pela palavra escrita.

Como repórter e escritora, Eliane sempre indagou sobre como cada um inventa uma vida. Em Meus desacontecimentos, a autora conta como ela mesma se arrancou do silêncio para virar narrativa.

Neste itinerário de dentro para dentro, ela percorre-se com delicadeza, mas sem pudor.

“Como contadora de histórias reais, a pergunta que me move é como cada um cria sentido para os dias, quase nu e com tão pouco. Como cada um habita-se”, diz. E conclui: “Esta é a minha memória. Dela eu sou aquela que nasce, mas também sou a parteira.”

Na quarta e última sessão da SEMANA DE LEITURAS da ONDA #7 FEMININO: Reflexão, tivemos a presença de PRISCILLA FRANÇA DIB, que leu trechos da obra de Eliane Brum, além de um texto de sua autoria. Confira como foi!

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