De trevas e narrativas

A noite vai muito além da ausência de luz solar. Não reconhecemos contornos, portanto todos os objetos adquirem um novo significado. E, assim, uma nova história.

Quando crianças, tínhamos medo do escuro. Acendíamos a luz. Mas o que mudou de fato, se voltássemos a apertar o interruptor?

A partir do pôr do sol, descobrimos este outro mundo, o além do interruptor. E como registro, os indivíduos corajosos utilizam a fotografia.

Ela é o exemplo do olhar e da ideia. Que toma a realidade desconhecida e modela.

Na belíssima foto clicada por Marcelo Greco e publicada em seu livro “Mixed Times”, reafirmamos que toda foto revela um pouco do fotografo e de nós mesmo. O enquadramento, a luz, o ambiente, ajudam a contar uma narrativa.

No caso, a guarita seria um elemento cotidiano se não fosses marcada por furos de calibre .38 em sua lataria. E o maior detalhe, que passa despercebido: a luz de dentro da casinha.

Esta luz não apareceria de dia e ela faz total diferença. Não é uma bala perdida. Não foi sem querer. Quem atirou quis matar quem estava dentro da cabine, que naturalmente, tinha acendido a luz no teto.

O artista escolhe a noite como linguagem, pois o ambiente afótico contribui para o impacto ou para a intenção do autor. Portanto, a noite não é uma tela em branco, mas a síntese de si.

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