da magia à ciência

A sociedade e o dito pensamento científico observam e contemplam a natureza a partir do que parece ser uma torre alta e longínqua, da qual veem uma certa imagem, ou ainda, um vapor semelhante a essa imagem – uma vez que as diferenças das coisas parecem confusas e escondidas por causa de sua própria pequenez e do intervalo da distância.

É a partir desta meditação que Paolo Rossi, historiador e filósofo da ciência italiano, funda sua obra Francis Bacon – Da Magia à Ciência. Debruçando-se sobre os escritos de Bacon, tido como o fundador da ciência moderna, o autor nos faz entrever um mundo natural – objeto da ciência – que não está assim tão distanciado de tradições de pensamento tradicionalmente encaradas como primitivas, como o misticismo, o ocultismo e o orientalismo.

Se um antigo pudesse ver a tecnologia atual em funcionamento, talvez afirmasse com convicção que aquilo é magia. A visão deste homem antigo é uma visão mágica, diferente de nós modernos e pós-modernos, que temos uma visão guiada pela ciência.

Enquanto a ciência quer findar mistérios, desvendando e explicando como algo funciona, a magia quer usar o mistério para mudar a realidade. A ciência revela e a magia reconhece o mistério, quer ser parte dele. Ambas podem ser experimentadas e avaliadas, mas possuem necessariamente métodos, objetos e disposições diferentes.

Por quê? Talvez por uma diferença radical de visão de mundo: aqueles de pensamento mágico, cosmológico, entendiam-se como parte essencial e indissociável da Natureza, enquanto os mais contemporâneos, de pensamento que foi gerado a partir do Iluminismo e culminou no século passado com o avanço de todas as tecnologias empurrando a ciência para limites até então inimagináveis, têm como prática recorrente afastar-se cada vez mais de seu objeto de estudo – como na figura do homem encastelado na torre que apenas observa os acontecimentos ao seu redor.

Nos dias atuais, a funcionalidade daquilo que é chamado magia foge ao nosso entendimento e produz seus efeitos: o Tarot e suas cartas que podem revelar verdades de diferentes ordens a nosso respeito; os números dentro do entendimento da Numerologia, que podem revelar a nossa alma; a Umbanda e sua mágica ciência das vibrações dos Orixás e como elas podem alterar a nossa percepção; a Jurema, Ayahuasca e o sagrado Teonanacatl e como estas plantas possuem tanto poder e tanta sabedoria.

Diante do mistério e seu encantamento, surge a certeza da beleza da própria natureza. E é precisamente esse mistério que seduz a ciência no seu caminhar. Assim, não há oposição real entre o mistério e a razão. Há sedução. E a cada desvelar a sedução aumenta. É apenas lamentável quando os homens ficam seduzidos por si mesmos, pelo seu ego, pela sua vaidade.

A maior virtude do mistério é despertar em nós reverência e humildade. Quem tiver entendimento, que o abandone, só assim poderá compreender.

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