cinema em tempos de ditadura

Entre 1964 e 1985, a democracia brasileira sucumbiu.

Um período marcado pelo totalitarismo e pelo monopólio das formas de pensar perdurou por 21 anos, praticando a censura e a violência de maneira institucionalizada. Para muitos artistas, isso significou não apenas a paralização de suas produções, mas para muitos significou o exílio de sua terra natal. Por outro lado, corajosos artistas seguiram produzindo e criando uma safra de filmes incríveis. Conheça alguns deles.

 

Cabra Marcado para Morrer (1984), de Eduardo Coutinho

‘Cabra’ é um filme exemplar nesse contexto.

Sua realização começou no início dos anos 60 e se tratava de uma narrativa ficcionalizada da morte do líder camponês João Pedro Teixeira, em 1962, na Paraíba. As filmagens foram interrompidas em 1964, devido à perseguição após o golpe militar. Parte da equipe foi presa sob a alegação de “comunismo”, e o restante dispersou-se. Alguns rolos do filme sobreviveram.

Dezessete anos mais tarde, Eduardo Coutinho retornou ao filme colhendo depoimentos dos camponeses que trabalharam nas primeiras filmagens e também da viúva de João Pedro, Elizabeth Altino Teixeira, que desde dezembro de 1964 vivera na clandestinidade, separada dos filhos. Reconstruiu-se assim a história de João Pedro e das Ligas Camponesas de Galiléia e de Sapé, em um misto entre documentário e ficção.

Terra em Transe (1967), de Glauber Rocha

Poucos anos após o golpe militar, Glauber Rocha ressurge com mais um filme de potência e eloquência únicas.

‘Terra em Transe’ retrata a realidade política de uma nação fictícia, Eldorado. O filme pode ser lido como uma metáfora para as diferentes correntes políticas existentes na época, entre esquerda populista e a direita demagógica. Todas as diferentes potências que rearticulam os poderes sociais são retratadas nesse filme, que rendeu críticas generalizadas ao cineasta.

O filme foi censurado pela ditadura militar, sob a acusação de subversão e por desrespeito à igreja católica.

Eles Não Usam Black-Tie (1981), de Leon Hirszman

Baseado na peça de Gianfrancesco Guarnieri, Eles não usam black-tie é um filme brasileiro de 1981 dirigido por Leon Hirszman.Um movimento grevista se inicia numa indústria mas um operário está preocupado com sua namorada, que acaba de lhe contar que engravidou. Para não perder o emprego e conseguir casar com ela, ele resolve furar a greve. O problema é que a greve é liderada por seu pai, iniciando um profundo conflito familiar.

O filme foi realizado em um momento de enfraquecimento da ditadura militar e foi capaz de colocar em pauta importantes discussões políticas. De alguma forma, Eles Não Usam Black-Tie conseguiu equilibrar a urgência da mensagem política com uma estrutura dramática relevante

Iracema, uma Transa Amazônica (1975), de Jorge Bodansky e Orlando Senna

A idéia do filme, segundo Bodanzky, surgiu quando ele trabalhava para a revista Realidade, da editora Abril, nos anos 1960, e teve de fazer uma reportagem sobre a rodovia Belém—Brasília, e viu “a movimentação dos caminhões e das prostitutas” e esse foi o retrato criado pelo filme: grilagem de terras, desmatamento, queimadas, a prostituição e miséria.

A produção foi uma encomenda para a televisão alemã e realizada em 1974, mas a censura da ditadura militar proibiu sua exibição no país por muitos anos, alegando que era uma produção estrangeira; tudo porque o filme contrariava a propaganda oficial, que dizia que a rodovia levaria o progresso à região.

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