animal em cena

Não é incomum associar animais a filmes infantis ou documentários; ainda assim, por suas características que ora nos aproximam, ora nos repelem, eles são ótimas alegorias da psique humana.

Em geral, animais nos fascinam desde a infância – e o mais provável é que continuem por toda a vida. Conforme os observamos, esse fascínio só aumenta. Guiados pelo instinto, são criaturas que existem para além da lei da e moral humanas – o que pode até fazer com que pareçam um tanto cruéis.

Filmes centrados nestas misteriosas criaturas – não aqueles da sessão da tarde, como Bud3 – costumam ter um propósito simbólico. É justamente o caso dos exemplos abaixo: por ressaltarem as tendências animalescas em nosso próprio comportamento, os animais em cena acabam servindo como ótimas alegorias da psique humana.

A burguesia domesticada

O cenário de O Anjo Exterminador, de Luis Buñuel, é um sofisticado jantar da alta burguesia num suntuoso casarão: eis o ponto de partida que o cineasta utiliza para nos revelar o lado sórdido desse mesmo encontro. Isso porque, para além das convenções sociais, está uma classe social escorada no seu narcisismo, no seu ócio e no seu luxo, insensível ao outro e ao mundo que a cerca.

O filme literalmente encurrala as pessoas num salão no interior do casarão, de onde não podem sair por uma barreira invisível. Algumas se sentem cansadas, querem ir embora, mas vão ficando por algum estranho motivo.

Pra completar o absurdo da situação, aparecem carneiros e um urso, como numa alusão ao livre curso dos instintos, enquanto os impulsos estão represados pelo comportamento civilizatório dos humanos.

Isso enquanto as carências aguentarem, porque, conforme diz um provérbio mexicano, “depois de 24 horas, cadáveres e convidados começam a feder”.

O Anjo Exterminador (1962), dir. Luis Buñuel
Os Pássaros (1963), dir. Alfred Hitchcock

O rosto dos nossos medos

Livremente baseado no conto “The Birds” de 1952 (escrito por Daphne Du Maurier), o filme surpreende por sua aparente falta de explicação para o principal evento que o conduz: o porquê de pássaros de diversas espécies se unirem para atacar os seres humanos em um pequeno vilarejo litorâneo.

O diretor tinha uma explicação muito simples: a de que “os pássaros estão cansados de serem mortos, depenados e comidos pelos homens. Então eles decidem se vingar. Um dia se agrupam e mergulham sobre as pessoas em um pequeno vilarejo”, mas esta justificativa não saciou a curiosidade de psicanalistas e teóricos da semiótica e outros saberes. Há diversas teorias que dão conta de explicar a motivação dos ataques feitos pelas aves: desde que estas seriam uma representação do superego feminino até que os passáros seriam uma alegoria para o Mal do mundo, que irrompe sem avisar, sempre de forma muito violenta.

A marca da maldade humana

Balthazar é um jumento, a grande testemunha dos traços menos adoráveis da natureza humana. O filme conta sua vida e morte, desde sua infância idílica cercado por crianças que o adoravam, até a idade adulta, tiranizado como animal de carga. O filme conta sua vida juntamente com a da menina que lhe deu o nome: enquanto ele é maltratado pelo dono, ela é humilhada por um amante sádico.

Balthazar só encontra um pouco de paz no dia que é empregado por um velho moleiro, que acredita ser o animal a reincarnação de um santo. Uma crônica cruel e irônica, uma reflexão sobre a natureza humana através de uma alegoria animal.

A Grande Testemunha (1966), dir. Robert Bresson
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