à luz do parto

Vivendo no país campeão mundial em números de cesarianas – fala-se até em uma “epidemia” – pode parecer coisa de bicho grilo falar em parto humanizado. Mas, num cenário onde a violência obstétrica é uma realidade não apenas contra a mulher mas contra o bebê recém-nascido, é urgente resgatar a crença de que o corpo da mulher está pronto para parir – e que todos nós, de alguma forma, sabemos nascer.

É inquestionável os avanços não apenas científicos mas humanos trazidos pela cesariana. Gravidezes de alto risco e em situação de complicação que no passado poderiam significar a morte da mãe e do bebê hoje são facilmente administráveis por esta técnica; no entanto, é evidente que esta modalidade é praticamente empurrada para qualquer mulher grávida – inclusive as que não apresentam complicações no desenvolvimento da gravidez – como a “forma de parir”. E ai de quem discordar.

Nós vivemos em uma sociedade pós-industrial que nega nossa natureza animal, onde o tempo é contado em turnos de 40 em 40 minutos nos quais o parto – expressão mais animalesca da nossa ancestralidade – é forçado a se adequar. Não há mega-estrutura social ou hospitalar que permita a natureza se manifestar como ela é, daí a desconfiança generalizada diante dos esforços coletivos dos movimentos de parto humanizado em relembrar que o corpo da mulher sabe muito bem como parir.

Silenciamento da mulher grávida em trabalho de parto. Ambientes hospitalares inóspitos para o nascimento de uma vida. Cortes desnecessários. Oxitocina sintética. Corte prematuro do cordão umbilical – que deixa de levar nutrientes indispensáveis para a criação do sistema imunológico no bebê até os 3 anos de idade. Colírio e remédios na criança antes do primeiro minuto de vida. Separação quase imediata entre mãe e filho, levado para o berçário – já visto atualmente por especialistas como uma prática quase medieval. “Ponto do marido”.

A lista de violências obstétricas é extensa, literalmente diária e pouco discutida. Mas aos poucos, esta realidade vai mudando conforme mais e mais mulheres ganham consciência sobre as potencialidades do seu corpo.

Que recobremos a autonomia sobre nós mesmas!

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