a harmonia no caos

Caetano Veloso, Ingmar Bergman e Georg Philipp Telemann são três artistas separados pelos anos, localização geográfica e áreas de interesse. Mas há algo que os une: a produção incansável de seus (a)fazeres artísticos.

Georg Philipp Telemann foi o compositor mais prolífico na História e, pasme, ainda durante a época em que viveram alguns dos maiores compositores clássicos alemães, como Bach e Handel, seus amigos. Aos 21 anos, ele já havia sido alçado ao posto de diretor musical da ópera de Leipzig. Durante o exercício de suas funções como músico da corte do Conde Erdmann II de Promnitz na Polônia, ele compôs pelo menos 200 aberturas em um período de apenas dois anos.

Ele compôs em todas as formas e estilos existentes em sua época. Sua música tem um caráter inconfundível, sendo clara e fluindo levemente. Ao longo de sua vida, Telemann produziu mais de 3.000 peças, embora “apenas” 800 tenham sobrevivido até hoje.

Atuante entre os anos de 1946 e 2003, o sueco Ingmar Bergman produziu muito, sendo o diretor teatral mais prolífico da história da Suécia. Ao longo da carreira de mais de 60 anos, ele criou 54 filmes, 126 produções teatrais e 39 peças de rádio, além de programas para a televisão.

Seu trabalho incansável e rigoroso trabalha temáticas como o sexo, a solidão e a busca pelo sentido da vida, o que o tornou conhecido internacionalmente como um autor complexo, atormentado e obscuro.

Caetano Veloso sempre esteve na vanguarda, provocando os limites do que chamamos de Música Popular Brasileira em seus mais de 50 discos lançados. Influenciou fortemente a vida e a obra de artistas como Jards Macalé, Jorge Mautner, Paulo Ricardo, Mariana Aydar e Fafá de Belém. Sua capacidade de se reinventar é assustadora: quando o rotularam como artista de banquinho e violão, ele sacou as guitarras. Parecia então que música de protesto era a única saída num país sob ditadura, mas ele ficou “Odara”. De repente Caetano era chique, aí ele mandou “Um Tapinha Não Dói”. Ele não se confinou à música, teve a ousadia de opinar sobre o Brasil. Quando todos entenderam que ele era neguinha, ele engrossou a voz para dizer: “Eu sou homem / pelo grosso no nariz”.

À parte de ter sido um dos pais da Tropicália, movimento que marcou época e fundou uma nova estética imagética e sonora no inconsciente coletivo brasileiro, Caetano mantém-se ativo durante toda a sua carreira musical que já dura mais de 50 anos.

A vida e obra destes artistas superprodutivos, fisiculturistas da atenção, é um desdobramento de um tipo – talvez extinto – de fazer artístico. A necessidade de criar mundos à parte, mundos para si, e a imensa coragem frente a essa tarefa esmagadora traçam um denominador comum entre pessoas aparentemente tão diversas.

Não é que o século XXI não dê espaço para este tipo de fazer prolífico, mas há de convir que vivemos em outra era, a era da atenção dispersa, das gratificações imediatas. Hoje cultivamos a dispersão, educamos nosso cérebro a olhar para o lado a cada cinco minutos.

Que o tempo nos surpreenda com a capacidade humana de se reinventar.

“A harmonia não é uma sensação que me é estranha ou a que não esteja habituado, contanto que possa viver e criar em ser atormentado, levar uma vida tranquila que me permita abarcar minha realidade, ter possibilidade de mostrar minha bondade, não ter que precisar de várias coisas nem obedecer a horários. Se assim for, então funciono perfeitamente.” – Ingmar Bergman

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