a arte no campo de batalha

Uma guerra é uma disputa que se dá em diversos fronts. Para além da violência intrínseca à guerra, ela existe também no campo moral, das narrativas históricas e também da própria estética.

A produção artística está atrelada a uma forma específica de obter poder: é uma maneira de transmitir a mensagem ideológica com mais facilidade, deixando-a mais sedutora.

O exercício dessa influência, em seu caráter mais nefasto, encontra seu melhor exemplo no Terceiro Reich.

A ocupação nazista nas principais potências europeias possibilitou o furto de obras de arte pertencentes às vanguardas artísticas. Sua utilização foi a mais inusitada: uma exposição chamada Entartete Kunst em português, Arte Degenerada.

Hitler que, quando jovem, fracassou em suas pretensões de se tornar pintor, toma para si o papel de curador e condena o Cubismo, Fauvismo, Dadaísmo e o Surrealismo. A exposição contendo obras de artistas como Picasso, Matisse e Mondrian posicionava-as fora de qualquer ordem lógica e traziam seus títulos alterados. Entre elas, mensagens moralizantes e imagens de pessoas com doenças mentais.

Para a alta cúpula nazista, a arte ideal deveria refletir a aspiração clássica de beleza idílica, que predominaria após a vitória nazista. Seria o retorno a um naturalismo já ultrapassado que se aproximaria da ideia da superioridade ariana.

O Grande Ditador (1940), de Charlie Chaplin

Uma ideologia precisa encontrar suas correspondências para ser absorvida em sua totalidade. Para além de uma forma de pensar, uma forma de viver e consumir.

Quando nos deparamos com fenômenos análogos no presente, como uma absurda ascenção de grupos nazi-fascistas, percebemos a atualização desses mecanismos. É possível encontrar movimentos de extrema direita se apropriando de música eletrônica (Vaporwave e Synthwave) e transformando-a em propaganda fascista (Trumpwave e Fashwave). No blog neo-nazista Daily Stormer, os ritmos são descritos como a ‘trilha sonora da extrema direita’ pela ‘falta de influência de ritmos negros’.

Esses ritmos são apenas os mais recentes exemplos da apropriação de obras de arte com fins de propagar uma mensagem fascista. O que é assustador é que nunca estivemos sob ameaça tão eminente de viver sob uma distopia, como estamos em um mundo em que Donald Trump é o presidente dos EUA.

É necessário monitorar e combater toda manifestação organizada de ódio e de intolerância (como aconteceu em Charlottesville) e observar criticamente as manifestações estéticas que traduzem esse incontrolável desejo por poder.

Protesto facista de Charlottesville - GettyImages
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